Um mundo de coisas e ao mesmo tempo nada...
Hoje eu me lembrei de uma coisa que acabou me entristecendo. Quando eu era pequena, antes de querer ser cientista, eu quis se artista. Minha mãe conta até hoje que eu dizia que quando crescesse seria "pintorista" (vocês têm que dar um desconto porque eu ainda devia ter uns 4 ou 5 anos). Nunca tive habilidade para desenhar ou pintar, pelo menos não para criar algo novo, só sabia colorir ou copiar desenhos dos outros. Aí eu descobri que adorava escrever. E escrevi um bom número de poesias quando mais nova. Um conto também. Levando-se em conta a minha idade, eles eram até bons, mas nunca pssaram disso. Hoje em dia, nem escrever mais eu consigo. Sou prolixa, nunca consigo expressar o que eu sinto e fico dando voltas e mais voltas. Ou então sou objetiva de mais e fica tudo sem graça.
Aí eu lembro de quando assisti Vinícius e tudo na vida dele era criação. Ele era genial o tempo todo. Principalmente bêbado, como ele se encontrava a maior parte do tempo. E ele era promíscuo também. Muito, por sinal. Só se casar, ele casou 9 vezes. E eu lembro do Cazuza, que também estava o tempo todo criando, bebendo e fudendo o que aparecesse na sua frente. Pablo Picasso também não era santo, que eu me lembro agora ele tinha duas famílias. Isso o que eu lembro agora.
Aí eu penso: será que eu preciso transar e beber mais???? Será que assim eu consigo criar alguma coisa??? Ou será que eu mergulhei tão fundo em mim mesma, tranquei tudo lá dentro com tantos cadeados, construí tantos muros em volta, que eu não consigo mais entrar lá dentro e por isso sigo assim sem sentir nada. Pelo menos bêbada eu tenho a sensação de que estou sentindo alguma coisa. Eu queria sentir tanto que os sentimentos não coubessem mais em mim e eu tivesse que escrevê-los. Eu queria sentir alguma coisa, nem que fosse uma tristeza imensa. Assim pelo menos eu teria certeza de que estou viva.
Mas em quanto isso, viva a pegação indiscriminada, viva a vodka, e se possível, um personal fucker.

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